Graduação no judô

Graduação no judô

O Judô, assim como a grande maioria das artes marciais modernas, utiliza-se de um sistema de faixas coloridas para determinar a graduação de seus alunos. Esse sistema de graduação, utilizados pelas artes marciais em todo o mundo, foi originalmente criado por Jigoro Kano, o fundador do Judô, sendo depois aperfeiçoado com o passar do tempo.

               Antes da implantação do sistema de faixas coloridas nas artes marciais, nas antigas escolas de jujutsu (koryu), os alunos eram normalmente graduados através de certificados escritos por seus professores garantindo que eles possuíam um certo nível de aprendizado. Entretanto, cada escola possuía sua própria forma de nivelar seus alunos, e isso era, para Jigoro Kano, uma desvantagem.

               Assim, em 1883, o Shihan Jigoro Kano (Shihan significa mestre em japonês) fez sua primeira divisão com seus alunos, dividindo-os em Mudansha (não-graduado) e Yodansha (graduado). Os mudanshas tem sua graduação divididas em Kyus (nível de habilidade). Os yodanshas têm sua graduação dividida em Dans (grau). O sistema de faixa colorida para os diversos kyus foi criado posteriormente na Europa, e daí exportado para o restante do mundo e das artes marciais, pois inicialmente, no Japão, a faixa branca era utilizada por todos os níveis de kyus, sendo que algumas escolas utilizavam a faixa marrom para os kyus mais elevados, e a preta para os yodanshas.

               Na imagem de abertura deste Post, podemos observar o caminho a ser seguido pelo praticante de Judô. Este caminho é padronizado nacionalmente, pela Confederação Brasileira de Judô, entidade maior ao qual somos filiados. Essa padronização porém é livre, podendo haver outros métodos até o 4º KYU (Faixa Laranja).

            Dentro da sua Academia, o atleta de Judô poderá ser graduado até o 1º KYU (Faixa Marrom). Após a faixa marrom, o praticante se torna um graduado, um yodansha, ganhando a faixa preta e o primeiro grau, se tornando um Shodan (portador do primeiro grau). Essa graduação só pode ser realizada pela entidade responsável pelo Judô do Estado, no nosso caso, somos filiados à Federação Paulista de Judô ( FPJ ) A graduação em dans, após a faixa marrom, se dá da seguinte maneira:

  • 1º dan (shodan ou ichidan) – Faixa Preta

  • 2º dan (nidan) – Faixa Preta

  • 3º dan (sandan) – Faixa Preta

  • 4º dan (yodan) – Faixa Preta

  • 5º dan (godan) – Faixa Preta

  • 6º dan (rokudan) – Faixa Coral (vermelha e branca)

  • 7º dan (nanadan) – Faixa Coral (vermelha e branca)

  • 8º dan (hachidan) – Faixa Coral (vermelha e branca)

  • 9º dan (kyudan) – Faixa Vermelha

  • 10º dan (judan) – Faixa Vermelha

               Para cada graduação de um DAN para o outro, são exigidas carências de tempo, demonstração de currículos judoístico, curso anual obrigatório de preparação para o exame no fim do ano, prova escrita, prova prática de demonstração de técnicas e katas, prova de arbitragem, primeiro socorros, pedagogia no ensino do judô, história e filosofia do judô, etc. Não é permitido a um graduado “pular” um DAN, cada etapa precisa ser vencida e conquistada aos poucos.

               Oficialmente, 15 pessoas na humanidade conquistaram o 10º  dan pela Kodokan (Escola de Judô criada por Jigoro Kano em 1882), até os dias de hoje. Os três mais recentes foram promovidos em 2006. Por outras instituições, como a Federação Internacional de Judô, há outros que conquistaram o último dan. Keiko Fukuda (9º  dan Kodokan) foi a primeira mulher a ser promovida a 10º dan de Judô pela USA Judô e USJF. Jigoro Kano Shihan não possuia dans, pois como fundador do Judô, era ele quem graduava sendo que não se atribuiu nenhum grau. Conta-se que Jigoro Kano defendia que aquele que conseguisse um grau mais elevado ao décimo dan, retornaria à faixa branca, terminando assim o ciclo completo do Judô.

               Abaixo, mais algumas terminologias que utilizamos no Judô (e também em outras artes marciais japonesas, talvez com alguma variação de significado):

  • Kohai – O aluno menos graduado que você.

  • Senpai – O aluno mais graduado que você.

  • Sensei – O professor, que deve ser obrigatoriamente um Yodansha.

  • Shihan – No Judô, o único com o título de Shihan é Jigoro Kano, por ser o criador e representante do Judô mundialmente.

  • Soremade – Terminar, encerrar.

Soremade!

Graduação no Jiu-Jitsu

Quem nunca ouviu dizer que faixa só serve para amarrar o kimono? Pois, a princípio, é verdade. O obi (faixa) é acessório milenar usado para ajustar o keikogi (vestimenta de treino), também chamado simplesmente dogi (vestimenta do caminho, escolhido) ou mais especificamente jiujitsu-gi (vestimenta do Jiu-Jitsu).

Porém quando se fala em faixa com o sentido de atribuir qualidade técnica aos artistas marciais, através do uso de kyu (a famosa graduação colorida da faixa) ou dos dans (atribuídos aos que atingiram a faixa preta), a prática tem pouco mais de um século.

Cabe lembrar que o Jiu-Jitsu brasileiro utiliza nomenclaturas diferentes em certos casos, como o grau ao invés de dan. Interessante é observar que foi com Jigoro Kano, fundador do estilo Kodokan, que por volta de 1883 o obi passou a diferenciar os mais graduados. No início havia o faixa-branca e o faixa-preta e por muito tempo foi assim. Artes orientais tradicionais como o aikido até hoje mantêm este padrão de graduação.

Foi com a influência ocidental e a necessidade de equiparar lutadores competitivos na organização de torneios que a graduação por cor se tornou habitual. Cada modalidade marcial difere nas cores adotadas e no número de faixas que o aluno deve perseguir até conquistar a faixa-preta.

Visualmente percebe-se que a faixa tende a escurecer, demonstrando que com o tempo o branco ganha pigmentação, experiência, técnica e destreza.

No Jiu-Jitsu foram adotas as cores branca, azul, roxa e marrom, com prazo indeterminado para a primeira troca de faixa, mas devendo ser respeitado o tempo mínimo de permanência nas demais (dois anos, um ano e meio, e um ano, respectivamente). Há também a utilização de outras cores para os mais novos, como o cinza, amarelo, laranja e verde.

Concluído o ciclo de aprendizagem inicial, pois passamos a vida toda aprendendo, o artista marcial ingressa na faixa preta onde passará a ser consagrado com graus em sua faixa. Como é costume na maioria das modalidades de luta oriental o último dan, o décimo em geral, é reservado aos fundadores da arte. No Jiu-Jitsu o décimo grau segue a mesma tradição, sendo destinado a pioneiros da arte como Carlos Gracie, George Gracie, Oswaldo Gracie, Gastão Gracie, Helio Gracie, Julio Secco e Armando Wriedt, bem como o japonês Conde Koma.

Para os reles mortais está ao alcance o nono grau, alcançado por aqueles com 48 anos de faixa-preta, passando antes pela coral (vermelha e preta) seguido pela vermelha e branca.

Por fim, duas tradições estão sempre em pauta nos dojôs afora: a ponteira deve ficar para o lado esquerdo e a faixa jamais deve ser lavada.

Sobre a primeira, cabe explicar que nem todas as artes marciais fazem o uso de ponteira em todas as faixas. No Jiu-Jitsu, desde a branca até a vermelha, prega-se o uso de uma ponteira. Nos obi coloridos é comum o uso de até quatro graus, que servem, principalmente, para o professor se orientar sobre o período em que o aluno está naquele estágio. A ponteira para o lado esquerdo está associada a uma antiga tradição oriental do século 10, quando os samurais posicionavam suas katana e wakisahi do lado esquerdo do corpo para desembainhá-las com a mão direita.

A polêmica mesmo está no ato de lavar ou não a faixa. Com o treino ela fica suja, encardida, rasgada, mas ao mesmo tempo aumenta a relação afetiva que o lutador tem por sua obi. O samurai atribuía às suas armas de combate uma forte relação espiritual de modo a acreditar que parte de sua alma e técnica estavam depositadas no seu instrumento de guerra. Muitos, por perceberem sua evolução técnica atrelada a sua faixa, depositam nela um carinho muito grande, como se fosse uma extensão de sua alma. Assim, quando se lava a faixa, para alguns, é como enxaguar seu conhecimento.

E você amigo leitor, lava ou não lava sua faixa?